Gabriela Cristina Sganzerla
Julia Pimenta de Oliveira
Vanessa Elisa Pinheiro
Julia Pimenta de Oliveira
Vanessa Elisa Pinheiro
O aprimoramento do mundo capitalista foi repercutido pela visão mercantilista posterior a era feudal, sendo enfatizada pela expansão ultramarina e revolução industrial. As duas grandes guerras igualmente promoveram a produção em série e em larga escala, sendo então a partir desta época regido por ideais de consumo, aspecto de compra e venda, de necessidades. Em conseqüência disto, o homem adquiriu hábitos de vida deletérios, obcecado pelo poder aquisitivo para possuir os produtos divulgados pela sociedade de consumo (Carvalho 1998).
Esses tais ideais de consumo não surgiram de maneira simplória, mas foram fruto de complexas análises envolvendo o inconsciente dos seres humanos, como também, o contexto histórico no qual estes estavam inseridos. O pioneiro a realizar tais análises foi Edward Berneys(1891-1995), sobrinho de Freud, e suas ideias se desenvolveram a partir das teorias de seu tio.
Esses tais ideais de consumo não surgiram de maneira simplória, mas foram fruto de complexas análises envolvendo o inconsciente dos seres humanos, como também, o contexto histórico no qual estes estavam inseridos. O pioneiro a realizar tais análises foi Edward Berneys(1891-1995), sobrinho de Freud, e suas ideias se desenvolveram a partir das teorias de seu tio.
Freud afirmava que forças primitivas estão escondidas dentro de cada ser humano, e se tais forças não fossem controladas levariam os indivíduos e a sociedade ao caos e a destruição, ou seja, eram reprimidas por serem perigosas demais. Essa teoria levou Berneys a pensar em formas de controlar as massas, e com isso, o consumismo se tornou uma arma, usada por ele, para manter a população mergulhada na ânsia da obtenção de bens materiais e deixar de lado a sua natureza primitiva reprimida. E para isso, ele apelava para os desejos inconscientes das pessoas, fazendo as pessoas quererem coisas que elas não precisavam ligando os produtos com os seus anseios imperceptíveis. E então, satisfazendo os desejos egoístas das pessoas, primeiro as deixaria felizes, e consequentemente dóceis.
A propaganda foi, e ainda é, um dos meios mais infalíveis para a manipulação do inconsciente. Como exemplo da força perdurativa de tal tipo de manipulação, em 1920 nos EUA, não era aceitável a todas as pessoas que as mulheres fumassem em público. Entretando, a indústria do tabaco desejava que as mulheres também fizessem uso de seu produto, aumentando a demanda de cigarro, e consequentemente o lucro. Com isso, estudiosos, através de análises do inconsciente, entenderam o que o cigarro simbolizava para as mulheres, e notaram que era como uma marca do poder sexual masculino. Portanto, incentivaram diversas mulheres a aparecerem em uma manifestação, fumando, mostrando que estavam enfrentando a supremacia masculina. No dia seguinte, em todos os jornais estava estampado o slide “tochas da liberdade”, referindo-se ao ato “corajoso” das mulheres fumarem em público. A partir desse evento, as vendas de cigarro entre as mulheres se tornaram crescente, e até hoje perdura a idéia de que o ato de fumar promove a igualdade entre dos sexos, e as torna mais poderosas e independentes, porém, isso não as torna independentes de fato, só as fazem sentir-se desse modo.
O modelo comportamental de hoje é calcado em estilos de vida apresentados pela mídia, através de novelas, filmes, revistas e demais fontes. São elementos padronizados, referenciando o melhor modelo físico, a mais oportuna posição social, a formação intelectual mais apropriada, o vestuário mais elegante, as músicas mais modernas, o pensamento mais digno (Canclini 2002). Porém, o padrão de consumo gerado por esse modelo comportamental não é generalizável. Muitas pessoas vivem em situação de extrema miséria e isso as impede de acompanhar o ritmo da sociedade capitalista moderna.
O padrão de consumo varia também de nação para nação, sendo maior em nações ricas e industrializadas. Desse modo, o consumismo de uns convive direta e indiretamente com a carência de outros, sendo que apenas 20% da população mundial consome 80% dos recursos do planeta. Um exemplo desse exagero que é o consumismo das sociedades modernas dos países desenvolvidos é que de acordo com dados estatísticos, se todo o mundo tivesse o padrão de consumo dos EUA, seriam necessários pelo menos mais dois planetas Terras para fornecer os recursos necessários (Ângelo 2000).
Mas afinal, o que é o consumismo? Segundo o dicionário Aurélio, o consumismo é o consumo exagerado de bens para uso próprio. Aprofundando um pouco mais, pode-se dizer que o consumismo é uma característica da sociedade contemporânea que produz impactos preocupantes sobre o ambiente natural e construído. A sociedade capitalista industrial criou o mito do consumo como sinônimo de bem-estar (Martins 2008).
O consumismo liga os produtos com os desejos emocionais e sentimento de cada indivíduo, tocando na questão de como você quer ser visto pelos outros, levando-nos a querer coisas sem que as antigas tenham sido completamente usufruídas.
Muitas pessoas nem sequer se perguntam se esse consumismo é realmente necessário. Essa questão, que deveria ser amplamente debatida, muitas vezes passa despercebida em meio às vitrines, evidenciando que os desejos estão se sobrepondo às reais necessidades.
As necessidades humanas, sendo consequências dos hábitos e comportamento humanos, foram se modificando com o tempo. É um conceito variável.
Qualquer um sabe exatamente qual a necessidade que tem; do que está precisando naquele momento. Mas entender a complexa trama das necessidades humanas é bem mais complicado.
De acordo com o psicólogo Abraham Maslow, o homem é motivado segundo suas necessidades que se manifestam em graus de importância onde as fisiológicas são as necessidades iniciais e as de realização pessoal são as necessidades finais. Assim elas podem ser dispostas em patamares com a seguinte hierarquia:
Porém, na sociedade ocidental moderna, não é o que se vê. Muitas vezes, observa-se no comportamento do homem a pirâmide completamente invertida, tendo as necessidades de auto-realização e status como as mais importantes e as fisiológicas e de segurança muitas vezes deixadas de lado. Por exemplo, o fato de uma mulher submeter-se a uma cirurgia estética levando em conta os riscos à saúde é um exemplo claro da inversão da pirâmide.
Não é uma tarefa fácil definir o que é realmente necessário e o que é desnecessário ou supérfluo, justamente pelo conceito de necessidade ser variável ao longo do tempo e para cada indivíduo. Porém, é possível definir níveis exacerbados de consumismo que são tratados como necessidades. Esses sim devem ser repensados e questionados.
Muitas foram as mudanças ocorridas ao longo dos anos devido aos hábitos desenvolvidos e expandidos ao redor do planeta pela visão de consumo exacerbado do capitalismo, como por exemplo a expansão da exploração mineral, a poluição excessiva da água, solo, atmosfera, da produção econômica, além do crescimento populacional sem controle de natalidade.
Estes fatores estão influenciando e influenciarão na qualidade de vida dos seres humanos e de todos os outros animais, pois recursos diversos estarão escassos e alguns indisponíveis, alterando a constituição primária (genética) dos organismos vivos. A adequação à nova realidade exigirá esforços desconhecidos, cujos resultados também são imprevisíveis. E para essa adequação a responsabilidade social e bom senso crítico são essenciais na seleção das atitudes tanto atuais como futuras.
O planeta não está mais suportando as mudanças ambientais ocorridas em detrimento das ações econômicas, ele está em seu limite, e consequentemente a isso temos de realizar mudanças no desenvolvimento que tragam sustentabilidade a Terra.
Estes fatores estão influenciando e influenciarão na qualidade de vida dos seres humanos e de todos os outros animais, pois recursos diversos estarão escassos e alguns indisponíveis, alterando a constituição primária (genética) dos organismos vivos. A adequação à nova realidade exigirá esforços desconhecidos, cujos resultados também são imprevisíveis. E para essa adequação a responsabilidade social e bom senso crítico são essenciais na seleção das atitudes tanto atuais como futuras.
O planeta não está mais suportando as mudanças ambientais ocorridas em detrimento das ações econômicas, ele está em seu limite, e consequentemente a isso temos de realizar mudanças no desenvolvimento que tragam sustentabilidade a Terra.
Essas mudanças não se tratam de abandonar o consumo para preservar os recursos naturais, o que seria totalmente inviável no mundo contemporâneo, mas sim de mudar padrões de consumo e produção no sentido de atender, de um lado, à demanda das necessidades básicas da maioria da população mundial (moradia, saúde, alimentação e educação), e, de outro, reduzir o desperdício e o consumismo nos países mais ricos.
Segundo Gro Brundtland, “Nosso futuro comum está no desenvolvimento que satisfaz as necessidades de hoje, sem limitar as possibilidades das futuras gerações”.
Referências Bibliográficas
Ângelo, C. Humanidade precisa de mais meia Terra. Folha de São Paulo, outubro, 2000.
Brundtland, G.H. Anais da Conferência, in Sodré, Marcelo, “Padrões de Consumo e Meio Ambiente”, Revista do Consumidor, São Paulo, Ed. Revista doa Tribunais, 1999.
Cabral, G. Maslow e as necessidades humanas. Disponível em: http://mundoeducacao.uol.com.br/psicologia/maslow-as-necessidades-humanas.htm (acesso: 13/10/11).
Canclini, N.G. Cidades e Cidadãos imaginados pelos meios de comunicação. Campinas, Opinião Pública, 8(1): 40-53, 2002.
Cardoso, P.R. Desigualdades sociais e as classes. Dispomível em: http://www.coladaweb.com/sociologia/desigualdades-sociais-e-as-classes. (acesso: 10/10/11).
Carvalho, M.G. Tecnologia e sociedade In BASTOS, J.A. S.L.A. Tecnologia & interação. Curitiba: CEFET-PR, 1998.
Curtis, Adam. The Century of the Self. BBC, United Kingdom, 2002. 240 min.
Inmetro (Insituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) & Idec (Insituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Meio ambiente e consumo. Coleção Educação Para o Consumo Responsável, 2002.
Martins, J.J. O consumismo"e o meio ambiente. Disponível em: http://www.grupoescolar.com/pesquisa/o-consumismo-e-o-meio-ambiente.html (acesso: 13/10/11).
Santos, J.F.S. & Santana, S.S. Educação física, saúde e consumismo na sociedade capitalista. Disponível em: http//www.efdeportes.com/efd80/consumo.htm (acesso: 10/10/11).

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